“Assistência
de Enfermagem a pacientes com desordem bipolar e sentimentos da estudante de
enfermagem: estudo de caso”, é o texto da postagem de hoje. O desenrolar deste
tem a ver com o que o próprio título já diz. A estudante precisa estagiar, e
durante esse processo, ela estuda o caso de uma senhora que sofre de
perturbação bipolar.
Primeiramente, a autora, Luciana Martins, faz uma descrição do vem a ser a doença. A perturbação bipolar é uma psicose caracterizada essencialmente por um distúrbio no humor da pessoa. De uma forma geral, a doença é chamada de Psicose Maníaco-Depressiva (PMD), mas se subdivide em: maníaca, depressiva ou mista. Essa subdivisão vai depender do quadro de sintomas em que o indivíduo se encontra no momento. No caso do paciente que possui o distúrbio misto, ele pode passar diretamente de uma fase a outra ou, após o término de uma, permanecer com o humor estável durante um período antes de ir para a outra.
Primeiramente, a autora, Luciana Martins, faz uma descrição do vem a ser a doença. A perturbação bipolar é uma psicose caracterizada essencialmente por um distúrbio no humor da pessoa. De uma forma geral, a doença é chamada de Psicose Maníaco-Depressiva (PMD), mas se subdivide em: maníaca, depressiva ou mista. Essa subdivisão vai depender do quadro de sintomas em que o indivíduo se encontra no momento. No caso do paciente que possui o distúrbio misto, ele pode passar diretamente de uma fase a outra ou, após o término de uma, permanecer com o humor estável durante um período antes de ir para a outra.
- A fase maníaca se manifesta quando a pessoa encontra-se em um
estado de euforia e tem um humor muito elevado; além de agitação e alguns
sintomas como insônia, aumento da libido e sentimentos de grandiosidade. Pode
apresentar quadros de irritabilidade também. E como descreve Martins, “em casos mais graves, este
tipo de paciente torna-se tipicamente psicótico com
fugas de ideias, fala desorganizada, agitação psicomotora, delírios de grandeza
e mesmo alucinações.”
- A fase depressiva acontece quando o
paciente sofre um período de melancolia (já tratada nas antigas postagens, com
ênfase em Freud...lembra?) e falta de interesse na vida. Sintomas como
desânimo, falta de interesse e prazer são comuns nessa fase. O paciente também
alimenta pensamentos ruins e tem opinião pessimista sobre si próprio. “O deprimido (...) tem um caráter de baixa autoestima,
sente-se muito inseguro, possui dificuldades para tomar decisões, sente-se
culpado, pensa em suicídio, tem perda de
apetite
e, como consequência emagrece, diminui a libido e apresenta insônia.”
Obs.: O
paciente recebe em cada fase, uma medicação diferente e específica para
tratar os sintomas.
|
Após essa descrição sobre como é a
doença, a autora foca na relação paciente-enfermeira. Ela diz que essa relação
é de extrema importância para o tratamento e que a atendente precisa usar não
só dos seus conhecimentos da área de saúde, mas também das suas próprias
características individuais para lidar com situações mais complicadas.
No caso dos pacientes de PMD, os enfermeiros vão enfrentar vários
problemas, no que se refere ao comportamento deles, que varia muito de acordo
com a fase. Cabe a equipe de assistência, amparar de todas as formas o paciente
e dar à ele o que ele necessita. Não só em termos de medicamento, mas também o
apoio emocional, físico e de cuidados em geral. E, além disso, ela destaca o
quão é importante que o profissional seja paciente, pois muitas vezes ele é
levado ao extremo durante o tratamento e o convívio com quem sofre da doença.
Segundo as palavras de Martins: “ Durante
a fase maníaca, existe a dificuldade de evitar o medo, a rejeição e a irritação
que o paciente provoca nos membros da equipe de enfermagem, dada a sua agitação
e agressividade. Na fase depressiva, sentimentos de irritação e impotência,
dificuldades de demonstrar aceitação e
paciência frente ao comportamento do paciente, são gerados nos membros da
equipe, dado o desânimo e a falta de cooperação do paciente.” E que mesmo sendo muito difícil, deve-se buscar uma
postura não crítica, em que a enfermeira tente compreender a situação, saiba
ouvir (essa é uma postura bastante parecida com a dos voluntários do CVV) e
estar pronta para oferecer ajuda e amparo sempre que ele precisar. Dessa forma,
é responsabilidade do profissional zelar pela própria segurança do paciente,
uma vez que este fica vulnerável na fase depressiva, por apresentar
comportamentos que podem levar até mesmo o suicídio. E não só na fase
depressiva, pois há períodos em que ele fica agressivo na fase maníaca. Todas
essas coisas podem não parecer tão significantes, mas fazem parte do processo e
são conhecidas como medidas terapêuticas.
A paciente que Luciana ficou responsável durante o estágio, foi a mesma
que ela utilizou como exemplo para relatar como foi a experiência de
assistência a enfermagem. O diagnóstico da paciente de 61 anos era de Psicose
Maníaco-Depressiva crônica, de ciclagem rápida (não possui períodos de
estabilidade no humor). Ela já havia sido internada no hospital psiquiátrico
duas vezes anteriormente e, na terceira, foi internada durante a fase maníaca. A
estagiária pôde presenciar as duas fases da doença. A primeira foi a depressiva,
na qual R. (modo como a autora refere-se a paciente) manifestava os sintomas
que foram descritos mais acima. Martins diz que foi complicado no início, pois
ela tinha dificuldade em se comunicar com R. ou de fazer com que ela se
sentisse incentivada a fazer coisas como participar dos grupos de apoio/se
socializar, se hidratar ou comer. Então, para obter sucesso na assistência,
visando a melhora da paciente, ela utilizou algumas medidas terapêuticas:
- Silêncio terapêutico;
- Apoio;
- Verbalização de aceitação e de
interesse;
- Clarificação (quando o assunto
não era compreensível);
- Repetia às últimas palavras
ditas pela paciente (para retomar o assunto e quebrar o silêncio).
Basicamente, essas medidas tem como base o incentivo positivo, sempre
buscando estimular e encorajar o paciente durante o processo de tratamento.
Já na fase maníaca, as dificuldades encontradas foram menores, pois de
acordo com a autora, “(...)não tinha
aquela tristeza contagiante,aquela falta de estímulos e as entrevistas fluíam
bem, com vários assuntos.” Apesar disso, elas passaram uma semana sem se
ver e, foi durante esse tempo, que houve a troca de fases. Isso desestimulou
Luciana de início, que já tinha feito um plano de assistência voltada para a
fase depressiva. Nessa fase, as medidas terapêuticas utilizadas foram:
- Clarificação;
- Ouvir reflexivamente (ao mesmo
tempo em que ela escutava a paciente, também a questionada, com o objetivo de
clarear o pensamento para ambas, além de ser uma forma de obter mais
informações);
- Imposição de limites;
- Dizer ‘não’ (em situações mais
complicadas, como querer fugir do hospital).
A conclusão do trabalho é, na verdade, o que já tinha sido apresentado
antes, relacionado as dificuldades que a enfermeira teve de enfrentar. Mas isso
faz parte do tratamento e, quanto profissional, a assistente já sabe o que
esperar. Por isso é importante ter essa preparação anterior (teórica e
emocional), pois só assim ela pode encontrar meios para lidar com situação. Uma
coisa que Martins abordou no texto, mas que também foi tratado em todos os
outros lidos, é a questão de tratar o paciente como um ser particular e único,
tendo o cuidado de entendê-lo diante das suas particularidades e do seu
contexto. Nesse caso em específico, pode-se entender melhor esse ponto durante
o processo do tratamento e os meios que a enfermeira usa para alcançar a
melhora do paciente. Por
exemplo, é certo que existem remédios que são receitados para todas as pessoas
que sofrem de PMD (forma generalizada). Mas só os remédios não são suficientes
para o tratamento e precisa-se que a pessoa tenha um acompanhamento. É aqui que
entra a importância da relação entre paciente e enfermeira. E o modo como a
enfermeira trata cada um, vai diferir, pois apesar de existir certas condutas
que são mais adequadas para esse tipo de tratamento, cada pessoa é única e
possui características distintas umas das outras. Nisso, consigo ver muita
semelhança com o texto sobre o CVV e a teoria de Rogers, que defende a ideia de
um método de tratamento centrado na pessoa.
Além do que já foi dito, uma outra questão que é pouco abordada, mas que
eu acho importante destacar, é o fato do preconceito com quem sofre da doença.
A autora comenta em uma parte sobre não ter tido a oportunidade de conhecer a
família de R., mas que se tivesse sido diferente, queria falar com os parentes
sobre acolhê-la e dar atenção à ela, além de não utilizar termos como “maluca”
ou não expressar sentimentos de desprezo, indiferença ou demonstrar qualquer
tipo de preconceito, pois isso tudo pode afetá-la de uma forma negativa. E,
infelizmente, sabe-se que esse tipo de comportamento das pessoas de fato
existe. Compreendo que às vezes seja difícil aceitar ou lidar com esse tipo de
situação, mas ao mesmo tempo, a pessoa não está doente porque quer. Então, ela
merece ser olhada com bons olhos. No caso desta doença em específico, o termo
‘bipolaridade’ acabou se popularizando e as pessoas o usam sem muitas vezes
conhecer o real sentido da palavra. Às vezes por uma simples mudança no comportamento,
as pessoas dizem: tal pessoa é bipolar...uma hora está de bem com todo mundo e
depois já está com raiva. E mal sabem elas que essa questão vai além disso e
precisa ser encarada com mais seriedade.
E, para descontrair, o vídeo da música "Hot N' Cold", da cantora Katy Perry:


.jpg)
