sexta-feira, 18 de abril de 2014

Prevenção do Suicídio - parte 2

   “Prevenção do Suicídio: Um relato da Capacitação dos Voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) no Município de Porto Alegre”, foi dividido em duas partes. A segunda começa a partir do capítulo 2 da tese especialização de Patrícia Venturela. É nessa parte que encontra-se a parte mais importante do desenvolvimento do texto, pois é nela que a autora vai explicar mais a fundo como funciona O CVV.
   Como conceitua a autora, o Centro de Valorização da Vida “é uma sociedade civil sem fins lucrativos, de caráter filantrópico”, existente no Brasil desde 1962, em São Paulo. É um programa de prevenção do suicídio que funciona 24 horas por dia, incluindo domingos e feriados. A forma de contato pode ser por telefone ou pessoalmente (das 8h às 18h). Também existem outras formas de contato, como SMS, e-mail ou chat. O atendimento é gratuito e tem como público todas as pessoas que desejam conversar (claro que existem limites, pois existe um objetivo central). Seja sobre alguma dificuldade, alegria, crises... afinal, o programa busca a prevenção e isso significa que não deve-se esperar o indivíduo se suicidar para tomar alguma providência e sim, prevenir que isso aconteça. A inspiração dessa sociedade surgiu nos Samaritanos, que atuavam desde os anos 50, na Inglaterra. Lá, a iniciativa surgiu de um Reverendo de uma igreja Anglicana, que após realizar um velório de uma menina de 14 anos que se suicidou por não saber o que era a menarca, decidiu tomar alguma providência para que as pessoas que precisassem ser “ouvidas”, pudessem e tivessem como fazê-lo.
   Após dar essas informações acerca da história e do funcionamento, Venturela descreve como se dá o processo de capacitação dos voluntários do CVV. Assim como ela expôs de forma bem clara (e às vezes difícil de compreender, por serem situações delicadas nas quais os voluntários se encontram), o professor convidou uma pessoa que vive isso na prática para nos dar uma palestra sobre o programa. E isso acrescentou bastante a leitura, uma vez que através de alguns relatos dele, foi ficando mais fácil entender e enxergar o tamanho da importância do CVV para as pessoas que o procuram. Da mesma forma que está no texto, o palestrante (prefiro não citar nome) também enfatizou alguns pontos cruciais para que o atendimento seja efetivo e que são de responsabilidade do atendente fazê-lo. 
  •  A pessoa que está ajudando, precisa ser congruente, transparente; Ou seja, ela precisa acreditar no que o outro diz, de fato. Ela não pode ser superficial no atendimento. Quem procura ajuda precisa se convencer no que ela está dizendo é sincero. Assim, se ganha confiança. 
  • O voluntário não deve ter como objetivo fazer uma análise do caso (impondo seu ponto de vista, por exemplo) e sim, entender o ponto de vista da pessoa.
  • Entendendo o ponto de vista, fica mais fácil aceitar e compreender. Isso é necessário para que haja uma empatia entre os dois. 
   Há, ainda, coisas que o ajudante NÃO deve fazer, pois a forma de atendimento baseia-se na ACP (Abordagem Centrada na Pessoa), que busca criar condições de mudanças através de recursos que o indivíduo encontre por si só. São eles: 
  •  Comparar
  • Aconselhar
  • Julgar
  • Indagar
  • Interpretar
   Não sei se é claro, mas esses pontos já foram tratados na parte 1 do texto. Elas são as Condições Facilitadoras do Crescimento, que são meios pelos quais os voluntários vão buscar resgatar a Tendência Atualizante do indivíduo (que encontra-se quase inexistente nas pessoas que pensam em se suicidar). Essa relação de ajuda tem como base os princípios do olhar Humanista, de Carl Rogers. E é nessa segunda parte do texto que a teoria dele é aplicada. O CVV é um belo de exemplo de uma teoria que é praticada (muito bem, por sinal). O senhor palestrante nos disse algo sobre ela que eu achei muito interessante: a psicologia humanista nos ajuda a relacionar com as pessoas. De fato, isso é verdade. Não precisa ser psicólogo ou voluntário do CVV pra ter essa sacada. Ela é muito aplicável a nossa realidade... nos deparamos o tempo todo com problemas, situações complicadas, crises. Apesar de serem importantes no processo de construção do indivíduo, há certos momentos em que estamos mais vulneráveis. Ou, como diz Freud, nos encontramos em estados melancólicos. Também acho normal, pois ninguém é de ferro e consegue estar 100% o tempo todo; e, ao mesmo tempo, creio que até mesmo esse estado de melancolia possa servir de aprendizado ou como forma de superação dos problemas. Mas claro que existe um certo limite pra isso, pois se extrapola, deixa de ser algo que possa se tornar positivo na frente e torne-se o que os especialistas caracterizam como preocupante. Então, pequenas coisas como um ombro amigo ou não se recusar a escutar, já fazem grande diferença. É a tal da expressão que dizemos quando precisamos ser ouvidos: preciso desabafar. Não custa nada nos ajudarmos mais, nos dispormos a ouvir mais... São coisas que parecem insignificantes, mas que podem ter (do ponto de vista do outro) muita importância. Se ficarmos mais atentos, podemos impedir que as emoções destrutivas tomem conta do próximo.
   Para finalizar, uma citação do Rogers que resume exatamente do que essas pessoas necessitam e a forma como funciona o programa: “Acolher o outro com respeito, aceitação incondicional e compreensão, ajudando-o a resolver seus problemas com seus próprios recursos.” 



                    

  Contato para o posto de CVV em Brasília: 






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