O semestre está acabando e a postagem de
número 13 já é a penúltima. Tem como tema a manifestação do tédio nos
indivíduos em contexto de isolamento. O artigo a ser analisado foi escrito por Woodburn
Heron na década de 70, no livro “Psicobiologia: as bases biológicas do comportamento”. O título do
texto é “A patologia do tédio”.
Em 1951,
um psicólogo chamado Hebb, juntamente com alguns colaboradores – um deles é o
autor deste artigo – conseguiu financiamento para realizar uma pesquisa que
tinha como objetivo analisar o comportamento de pessoas quando expostas a
ambientes totalmente monótonos por períodos prolongados. Os pesquisadores
tiraram dos voluntários, intencionalmente, tudo aquilo que poderia estimular os
sentidos. O experimento consistia em deixar o indivíduo em um cubículo iluminado
24 horas por dia, que possuía ar condicionado e uma cama confortável. Eles
poderiam sair apenas para fazer as refeições e irem ao banheiro. Além disso, as
modificações nas atividades cerebrais foram registradas antes, durante e após a
pesquisa, por meio de eletroencefalogramas. A duração do experimento era
indeterminada, só teria fim quando o voluntário solicitasse sua saída. Todos
participantes eram homens, estudantes e que recebiam 20 dólares por dia. Foram
feitos testes variados, durante e após o período de isolamento, que tinham o
intuito de analisar o quanto suas capacidades sensoriais, mentais e
comportamentais tinham sido afetadas. Na maioria dos resultados, os resultados sofreram
alteração e notou-se uma piora crescente, conforme passavam os dias.
A explicação
dessa mudança segundo os pesquisadores dizia que o desempenho dos voluntários
tinha sido comprometido pelo fato de estarem em ambientes monótonos, tediosos.
Várias foram as alterações. Em um dos testes, eles analisaram a atitude do
indivíduo com relação aos fenômenos sobrenaturais, antes e depois da
experiência. Durante a pesquisa, eles ouviram uma palestra sobre o assunto e
foi verificado, que, após ouvirem-na, muitos tinham mudado de opinião a
respeito do assunto e tinham dificuldade de argumentar sobre, além de passarem
a ter medo de ver fantasmas. Ademais, mudanças comportamentais foram
percebidas, como agitação, irritação e distração. Outros sentiam dificuldades
de encontrar o caminho para o banheiro e fazer atividades simples, como
responder perguntas ou manter um pensamento. Essas eram tarefas difíceis de
serem cumpridas. Segundo Heron, o isolamento e a não estimulação, propiciavam uma
mudança gradual no conteúdo mental dos sujeitos. Apesar disso tudo, o resultado
mais surpreendente do estudo, inicialmente não tinha despertado muito interesse
nos pesquisadores, mas depois, tornou-se o mais interessante: eram as
alucinações. A princípio, os fenômenos visuais eram mais simples, ficando mais
complexos com o passar dos dias. Passavam de formas simples, como figuras
geométricas para cenas integradas, como uma “(...)
fila de esquilos, com sacos nos ombros, marchando resolutamente pelo campo
visual.” Mas a principal questão
é que as alucinações passaram a influenciar demasiadamente nas vidas dos
sujeitos, chegando ao ponto de interferir no sono e de influenciarem na
percepção das coisas e do ambiente, após o experimento. Alguns estudantes também
relataram que a alucinação não era apenas visual, mas também auditiva e que
chegava a afetar o tato, pois sentiam sensações na pele.
Os
resultados do texto, segundo Heron, são semelhantes aos resultados de estudos
feitos no cérebro. Ambos mostraram que, os estímulos sensoriais são de extrema importância
para manter as atividades e funcionamentos normais do cérebro. O que não
acontece quando o indivíduo é exposto a atividades com um grande número de
repetições ou quando fica isolado. Agora fica mais fácil entender o quão
importante é estimular as atividades cerebrais, por meio de várias
alternativas. Uma bastante conhecida, que sempre é recomendada por
profissionais da saúde, principalmente para idosos, é de fazer alguma atividade
como palavras cruzadas, crochê ou apenas praticar algo que estimule e incite o
raciocínio, a atenção ou lógica, para incentivar não só a autoestima, como o funcionamento
normal do cérebro. E dessa forma, prevenir doenças, como a Alzheimer. Acredito
também, que o isolamento deixa as pessoas mais vulneráveis às emoções
destrutivas, que tanto foi mencionada nos textos e nas aulas, e que é, de fato,
motivo de dano na vida de muitas pessoas. Creio que um afastamento de vez em
quando é necessário, ainda mais se levarmos em conta o estilo de vida a qual
estamos expostos hoje em dia. Mas esse afastamento é algo momentâneo, apenas
com o intuito de se fazer acalmar, exercitar a paciência para tentar tornar a
vida mais leve. E, no caso do isolamento, o efeito é contrário, pois a pessoa
vai desenvolver características e comportamentos negativos, como consequência
da vida solitária. As relações, a convivência e a experiência são coisas
necessárias para o desenvolvimento e crescimento de um indivíduo.
“A variedade não é o tempero
da vida; É sua própria essência.” (Christopher Burney)
Um filme bem famoso, estrelado por Tom Hanks e estreado
em 2001, Cast Away ou Náufrago em português, narra a história
de um empregado da FedEx que sofre um acidente aéreo e para numa ilha
desabitada no meio do Pacífico Sul. Retrata bem o
contexto do isolamento.




