O texto a ser tratado hoje foi retirado
do livro “Teoria da Dissonância Cognitiva”, escrito por Leon Festinger, um
psicólogo nova-iorquino, na década de 70. Como já dito no título, o livro fala
sobre a teoria da dissonância.
Pois
bem, o que seria dissonância? Segundo Festinger, “é a existência de relações discordantes entre cognições, é um fator motivante per ser.” São dois elementos (cognições) que quando relacionados, são
contraditórios e destoantes. Para o psicólogo, o termo cognição tem um sentindo
amplo, abrangendo elementos desde qualquer tipo de conhecimento (como opiniões
ou convicções) até tipos de comportamento. Isso faz com que a dissonância passe
a ser cognitiva. A dissonância cognitiva
é caracterizada por aquilo que antecede a ação e refere-se à realidade (física,
social ou psicológica). Para entender melhor, pode-se substituir o termo
dissonância por ‘incoerência’, pois há uma diferenciação entre aquilo que o
indivíduo pensa ser o certo e aquilo que ele faz. Do mesmo modo, existe o
oposto, que é conhecido como consonância
ou coerência, se quisermos usar um termo equivalente. E diferentemente do que
parece, esse “fenômeno” é algo muito comum na vida das pessoas e pode ser
expressado e vivenciado em diferentes contextos e situações.
Os seres humanos estão sempre buscando o equilíbrio como uma forma de
conforto, e a dissonância é uma forma de desequilíbrio que vai influenciar na psique
e que aparece como uma incoerência. Isso chama-se desconforto psicológico. Para amenizar essa incoerência, os
indivíduos procuram meios de se ajustarem e conviver com elas, tentando
racionalizá-las ou explicá-las. Essas são atitudes de reduzir a consonância, evitá-la
ou eliminá-la. Em muitas partes do texto, o autor compara a dissonância com a
fome, pois quando ela aparece, é preciso saciá-la. Da mesma forma opera a dissonância,
pois quando ela faz-se presente, a pessoa sente necessidade de procurar meios
que acabem com ela. Assim como a fome, quanto maior é, a quantidade de alimento
precisa ser grande, e no caso da dissonância, a intensidade das ações, que vão reduzi-la
ou eliminá-la. Um exemplo seria o de uma pessoa fumante: apesar de saber que o
ato é nocivo a saúde, ela continua fazendo. Essa é uma atitude que caracteriza
a dissonância: a contradição existente entre o saber e o fazer. Para tentar
diminuir a culpa ou fazer com que o ato de fumar pareça menos errado, ela
procura desculpas como: existem doenças que matam mais do o cigarro (isso seria
uma redução da dissonância). E a forma de eliminá-la seria parar de fumar. Essa
atitude passaria a ser consoante com
o conhecimento que a pessoa tem sobre o ato de fumar (fazer mal para sua saúde).
Uma outra forma de se lidar com a dissonância, é a adição de um terceiro
elemento, que tem o papel de “reconciliar” os outros dois.
Segundo Frienger, “(...) esse
método de redução ou eliminação da dissonância é uma ocorrência muito
frequente. Nosso comportamento e sentimentos são frequentemente modificados de
acordo com novas informações.” E de fato, pode-se verificar isso na
realidade, uma vez que vivemos em sociedade e nos relacionamos a todo tempo,
trocando conhecimentos, opiniões... Tudo isso faz parte do amadurecimento e
desenvolvimento do ser humano. O
experimento de Stanley Milgram sobre obediência, que foi tratado na postagem
anterior, também pode nos servir de exemplo, pois encaixa-se com o trecho do
texto que foi citado acima. Durante o experimento, os voluntários agem de uma
forma diferente da que agiriam naturalmente, pois são influenciados pelo
contexto e pela situação. Os termos contexto e situação podem ser equiparados a
“novas informações”. Também encontramos dissonância no experimento, uma vez que
os voluntários não acham certo continuar com os choques, mas o fazem, por
confiarem no que diz o cientista. Além do que já foi dito, também é importante
ressaltar que existem diferentes níveis de dissonância, desde momentâneos até “quase
inevitáveis”. Festinger denomina isso de magnitude.
Ela varia de acordo com a importância dos elementos cognitivos: se eles tem
grande importância, então a magnitude será maior e vice versa. A magnitude
também pode ser entendida como um grau de incoerência que existe entre os
elementos.
O fato é que nem sempre a dissonância pode ser reduzida ou evitada, pois
ela pode fugir do controle da pessoa e se fazer presente em um nível
inconsciente. E assim como o autor conclui o capítulo, digo que as implicações
da dissonância não podem ser limitadas, por estarem presentes em várias ações
do cotidiano e tornar difícil a generalização e o modo como elas vão se
manifestar.
Este link é de um vídeo sobre um experimento de Dissonância Cognitiva: https://www.youtube.com/watch?v=Wvx-gW4vUSc

Nenhum comentário:
Postar um comentário