quinta-feira, 12 de junho de 2014

Teoria da Dissonância

        O texto a ser tratado hoje foi retirado do livro “Teoria da Dissonância Cognitiva”, escrito por Leon Festinger, um psicólogo nova-iorquino, na década de 70. Como já dito no título, o livro fala sobre a teoria da dissonância.
        Pois bem, o que seria dissonância? Segundo Festinger, “é a existência de relações discordantes entre cognições, é um fator motivante per ser.” São dois elementos (cognições) que quando relacionados, são contraditórios e destoantes. Para o psicólogo, o termo cognição tem um sentindo amplo, abrangendo elementos desde qualquer tipo de conhecimento (como opiniões ou convicções) até tipos de comportamento. Isso faz com que a dissonância passe a ser cognitiva. A dissonância cognitiva é caracterizada por aquilo que antecede a ação e refere-se à realidade (física, social ou psicológica). Para entender melhor, pode-se substituir o termo dissonância por ‘incoerência’, pois há uma diferenciação entre aquilo que o indivíduo pensa ser o certo e aquilo que ele faz. Do mesmo modo, existe o oposto, que é conhecido como consonância ou coerência, se quisermos usar um termo equivalente. E diferentemente do que parece, esse “fenômeno” é algo muito comum na vida das pessoas e pode ser expressado e vivenciado em diferentes contextos e situações.  
        Os seres humanos estão sempre buscando o equilíbrio como uma forma de conforto, e a dissonância é uma forma de desequilíbrio que vai influenciar na psique e que aparece como uma incoerência. Isso chama-se desconforto psicológico. Para amenizar essa incoerência, os indivíduos procuram meios de se ajustarem e conviver com elas, tentando racionalizá-las ou explicá-las. Essas são atitudes de reduzir a consonância, evitá-la ou eliminá-la. Em muitas partes do texto, o autor compara a dissonância com a fome, pois quando ela aparece, é preciso saciá-la. Da mesma forma opera a dissonância, pois quando ela faz-se presente, a pessoa sente necessidade de procurar meios que acabem com ela. Assim como a fome, quanto maior é, a quantidade de alimento precisa ser grande, e no caso da dissonância, a intensidade das ações, que vão reduzi-la ou eliminá-la. Um exemplo seria o de uma pessoa fumante: apesar de saber que o ato é nocivo a saúde, ela continua fazendo. Essa é uma atitude que caracteriza a dissonância: a contradição existente entre o saber e o fazer. Para tentar diminuir a culpa ou fazer com que o ato de fumar pareça menos errado, ela procura desculpas como: existem doenças que matam mais do o cigarro (isso seria uma redução da dissonância). E a forma de eliminá-la seria parar de fumar. Essa atitude passaria a ser consoante com o conhecimento que a pessoa tem sobre o ato de fumar (fazer mal para sua saúde). Uma outra forma de se lidar com a dissonância, é a adição de um terceiro elemento, que tem o papel de “reconciliar” os outros dois.


        Segundo Frienger, “(...) esse método de redução ou eliminação da dissonância é uma ocorrência muito frequente. Nosso comportamento e sentimentos são frequentemente modificados de acordo com novas informações.” E de fato, pode-se verificar isso na realidade, uma vez que vivemos em sociedade e nos relacionamos a todo tempo, trocando conhecimentos, opiniões... Tudo isso faz parte do amadurecimento e desenvolvimento do ser humano.  O experimento de Stanley Milgram sobre obediência, que foi tratado na postagem anterior, também pode nos servir de exemplo, pois encaixa-se com o trecho do texto que foi citado acima. Durante o experimento, os voluntários agem de uma forma diferente da que agiriam naturalmente, pois são influenciados pelo contexto e pela situação. Os termos contexto e situação podem ser equiparados a “novas informações”. Também encontramos dissonância no experimento, uma vez que os voluntários não acham certo continuar com os choques, mas o fazem, por confiarem no que diz o cientista. Além do que já foi dito, também é importante ressaltar que existem diferentes níveis de dissonância, desde momentâneos até “quase inevitáveis”. Festinger denomina isso de magnitude. Ela varia de acordo com a importância dos elementos cognitivos: se eles tem grande importância, então a magnitude será maior e vice versa. A magnitude também pode ser entendida como um grau de incoerência que existe entre os elementos.
        O fato é que nem sempre a dissonância pode ser reduzida ou evitada, pois ela pode fugir do controle da pessoa e se fazer presente em um nível inconsciente. E assim como o autor conclui o capítulo, digo que as implicações da dissonância não podem ser limitadas, por estarem presentes em várias ações do cotidiano e tornar difícil a generalização e o modo como elas vão se manifestar.

Este link é de um vídeo sobre um experimento de Dissonância Cognitiva: https://www.youtube.com/watch?v=Wvx-gW4vUSc

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