sábado, 17 de maio de 2014

Adicção, Antecipação e Tolerância à drogas

  O texto de número 7 tem como tema as drogas e fala sobre alguns conceitos que envolvem seu uso. Alguns desses conceitos já são explicitados no próprio título: adicção, antecipação e tolerância. Além deles, tolerância e condicionamento pavloviano também serão explicados. O autor é Shepard Siegel, da McMaster University, Canadá.
   Ele começa falando que existem vários estudos e pesquisas sobre alguns sintomas que os usuários sentem. mas ao contrário do que se parece, os estudos não estão voltados para esses sintomas na fase em que o usuário de drogas está consumindo-as e sim, sobre como elas ainda existem após do tratamento ter acabado. Com isso, Siegel fala sobre “o estudo do responder antecipatório a efeitos biologicamente significativos”, que é conhecido como condicionamento pavloviano. Basicamente, tudo aquilo que está envolvido no uso da droga: contexto, instrumentos, pessoas, ambiente. Tudo isso vai influenciar a mente e o organismo do indivíduo. Também podemos chamá-los de estímulos condicionados (pistas que antecedem o uso da droga). Já o efeito direto da droga é chamado de estímulo incondicionado (componente farmacológico), que  diferentemente do outro estímulo, independe de fatores externos para acontecer.
   A partir disso, é possível entender o conceito de tolerância: “ocorre quando o efeito de uma droga diminui ao longo de administrações repetidas. Ou seja, o organismo acaba se acostumando após um determinado período de uso constante e seu efeito já não é mais o mesmo, conforme o tempo vai passando. O condicionamento pavloviano aqui também tem grande importância, pois além da atuação do componente farmacológico ser diferente no organismo da pessoa, os estímulos condicionados tem um papel de grande influência, porque criam efeitos de associação que acontecem inconscientemente, e que afetam o organismo, além de prepará-lo para aquela situação. O esquema abaixo mostra o resultado de um teste que prova a “especificidade da situação de tolerância”. O teste consistia em administrar a droga em um rato em duas situações: em um ambiente habitual de administração de drogas (ambiente A) e em um ambiente diferente e desconhecido (B). O resultado foi que a tolerância no ambiente atual ocorre (o efeito da droga no organismo diminuí), enquanto que no ambiente B, a tolerância não ocorre, ou seja, o efeito é parcialmente ou totalmente reintegrado. Esse teste também foi comprovado em outras situações, como o consumo de café ou de álcool e os resultados foram iguais. Segundo Siegel: pistas associadas à droga produzem respostas compensatórias condicionais que atenuam o efeito da droga; portanto, a tolerância é maior quando é avaliada na presença de estímulos associados à droga do que quando é avaliada de modos alternativos.
 Teste de especificidade da situação de tolerância

   O outro sintoma trabalhado, é o de abstinência. Diferentemente do esperado, esse sintoma é causado mais pelas respostas compensatórias do que pela falta da droga em si. Mas o que são essas respostas compensatórias? É a forma que o organismo reage, quando não está preparado, assim como aconteceu no teste acima, quando a droga era administrada em um ambiente diferente do habitual. Essas respostas são as formas que o corpo encontra para se preparar. Mas se pensarmos bem, isso não se restringe somente ao uso de drogas, pois o corpo sempre busca meios de adaptação. Um belo exemplo seria pegar alguém que vive em Brasília há muito tempo e um turista, ambos na época da seca, e compará-los: claro que o primeiro vai reagir melhor, uma vez que já está acostumado e adaptado a esse tipo de clima. Dessa forma, o autor diz que as respostas compensatórias atingem um ponto máximo no organismo, pois o corpo não foi modulado para receber a substância naquele contexto. Particularmente, achei essa parte do texto interessante, pois a minha visão de abstinência era outra, onde o sintoma surgiria por causa da falta substância e não por fatores externos ao organismo.
   Um outro ponto abordado no texto é a relação da auto-adiministração e tolerância. Esta relação também é considerada uma situação de especificidade da situação de tolerância, pois a auto-administração funciona como um estímulo condicionado, tendo em vista que o indivíduo possui algum tipo de motivação interna para utilizar tal substância. E isso faz com que o organismo crie as respostas compensatórias. Assim, toda vez que a pessoa vai auto-adiministrar a droga, a tolerância vai ocorrer depois de um tempo, pois o corpo e os sinais externos à ele serão moldados para receber a droga, fazendo com que os efeitos não sejam mais os mesmos, com o passar do tempo.
   Por fim, Siegel diz que os sintomas de abstinência de drogas e recaídas são frequentes se o indivíduo é exposto a pequenas doses da substância. Ele dá o exemplo de um alcoólatra que “perde o controle” ao experimentar uma bebida com álcool. O autor explica esse comportamento como uma associação feita pelo adicto (mesmo significado que o termo “viciado”) aos primeiros efeitos da droga durante as primeiras experiências. Esses fatores são importantes para se pensar em um tratamento que seja realmente eficaz. Uma alternativa seriam as terapias comportamentais para a adicção baseadas no condicionamento, também conhecidas como terapias de “exposição a pistas”. A proposta é que o paciente possa vivenciar os estímulos condicionados, mas sem ter acesso a droga. Siegel e Ramos vão além e dizem que o individuo também deve ser exposto a pequenas quantidades da substância e ter permissão para participar de rituais de auto-administração. Pode parecer errado, mas no fundo, faz mais sentido do que privar o paciente de usar a droga de uma hora pra outra. Essa atitude é bem mais drástica e não há garantia de que ele vai resistir, se precisar enfrentar uma situação que não possa usar a droga. Se a substância for retirada aos poucos, a chance de recuperação é muito maior, uma vez que o organismo vai poder se reequilibrar. E, quando exposto a droga, não vai ter sintomas de recaída, pois o corpo já vai ter se readaptado.  Por isso é tão importante levar em conta a história pessoal de cada indivíduo. Além, disso esse tratamento é interessante, pois ele não busca tratar somente os sintomas e sim, os sintomas e as causas.

“Compreender a adicção requer uma compreensão da história de condicionamento que faz com que esse fantasma se materialize. O tratamento eficaz requer uma consideração de como o condicionamento pode ser usado para exorcizar o fantasma.”
                                                                                                                                       Shepard Siegel

E agora, um pouco de Amy Winehouse - Rehab



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