sábado, 10 de maio de 2014

Classificação dos transtornos

  O texto de número de 6 tem como título: “Sobre ser são em lugares insanos – experimentos com diagnóstico psiquiátrico” e foi escrito por uma psicóloga. Assim como o anterior, tem como tema central doenças psiquiátricas e se desenvolve a partir de um experimento feito por um psicólogo no início da década de 70, com o objetivo de afirmar aquilo que ele considerava errado nos diagnósticos psiquiátricos.
   O experimento proposto por Rosenhan consistia em procurar ajuda em algum hospital psiquiátrico/clínica psiquiátrica alegando escutar uma voz que dizia “Tum”. A palavra tum foi escolhida por não estar presente na literatura ou em nenhum relato de pessoas que ouviam vozes. Além dele, mais oito amigos concordaram em participar e contribuir com suas experiências. Foram trocados os nomes e alguns mentiram sobre sua ocupação, pois haviam psiquiatras entre eles (isso poderia dificultar o acesso). O combinado era entrar na enfermaria do local e falar que estava ali por causa da voz.  Escutar uma voz é uma característica de psicose, o que facilitaria a “encenação”. Mas após serem internados (foi o caso de todos), deveriam dizer que a voz havia desaparecido e que se sentiam bem, além de agirem com honestidade durante todo o período que permanecessem internados. Eles seriam, então, pseudopacientes. Como já disse antes, o resultado foi que todos foram internados. A maioria recebeu o diagnóstico de esquizofrenia e, apenas um, recebeu o diagnóstico de psicose maníaco-depressiva. A média de dias em que os oito permaneceram nos hospitais foi 19, tendo em vista que a maior permanência foi de 52 dias e a menor, de 7. Todos foram liberados, sendo que sua sanidade essencial nunca foi identificada. Além disso, Rosenhan concluiu que, assim como eles, os pacientes estavam sendo tratados de uma forma desumana, no sentindo de serem mal tratados e diminuídos (ele caracteriza isso como redução de status).
   Com isso, David Rosenhan chegou a conclusão de que os diagnósticos de doenças mentais estavam sendo feitos de maneira errônea, pois baseavam-se apenas em comportamentos considerados característicos de quem “não é normal”. Viu que a psiquiatria encontrava-se num patamar duvidoso enquanto ciência. De acordo com que a autora descreve, ele dizia que “o diagnóstico não é realizado dentro da pessoa, mas dentro do contexto, e que qualquer processo diagnóstico que se empresta tão prontamente a erros enormes dessa espécie não pode ser muito confiável”. Com toda essa postura crítica, é claro que Rosenhan comprou uma briga com os profissionais da área. Robert Spitzer, psiquiatra e psicanalista, foi um defensor que se propôs argumentar contra David. Ele acreditava que a psiquiatria era um modelo médico. E, além disso, partiu para a prática e junto com uma equipe, reformulou o DSM (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), com o propósito de deixá-lo mais científico e rigoroso, com o intuito de impedir erros graves novamente. O problema encontra-se aqui, segundo a autora e David Rosenhan: a ciência se baseia naquilo que pode ser comprovado, visto, palpável. No caso da medicina, baseia-se no corpo. A psiquiatria é uma exceção, por ter como objeto a mente humana, que não é nenhum pouco palpável e, muito menos, objetiva. Assim, ela trabalha com suposições, com “algo mensurável”, como é citado no texto.
   A autora decide, anos depois, refazer a mesma experiência de Rosenhan e, felizmente, não é internada, depois de várias tentativas. Mas apesar disso, sempre é diagnosticada com depressão com características psicóticas. Diz também que foi bem tratada por todos os profissionais que a atenderam (provavelmente, foi resultado da reformulação do DSM, e houve uma melhora, se lembrarmos do tratamento desumano citado por David e seus colegas). Mas diz, que ainda sim, não eram feitos “exames completos” para testar seu nível de sanidade mental. E eis que surge a grande pergunta, pois, se a psiquiatria não trata de algo que é tangível (a mente), então como pode ficar satisfeita em apenas se basear em relatos e sintomas do paciente ou medir o pulso e, a partir disso, diagnosticá-lo com doença mental? Pode ser ferrenho da minha parte, mas a meu ver, justamente por não ter provas concretas, – na medicina, se você quebra um osso, faz uma radiografia e pode ver que ele está de fato, quebrado – é que o cuidado com esse diagnóstico deveria ser redobrado. Não sei como, pois entendo quase nada desse assunto, mas algo deveria ser feito. Até por que, cada paciente tem um histórico diferente. Assim como já disse em outras postagens, é aquela história de olhar para o indivíduo como sendo único. Até lembrei de Descartes, que propunha analisar a mente e o corpo separadamente, mas ao mesmo tempo compreender que existe uma relação de interdependência entre ambos. Quem sabe, o corpo não dá algumas dicas para ajudar no diagnóstico mental?

   O fato é que a mente humana é bem complexa e, portanto, a psiquiatria acaba tornando-se vulnerável se olharmos desse modo, no sentido de tentar entender algo que não é tão previsível e regular. Como foi dito no texto, as pessoas que tem doenças mentais, acabam sendo rotuladas e classificadas, por possuírem tais características de tais doenças. E, infelizmente, isso acontece, pois não se pode compreendê-las 100%. E é assim que agimos, quando não temos plena compreensão de algo ou porque simplesmente é mais cômodo... rotulamos e classificamos. Não sei se consegui me fazer clara, pois acho que o tema em si não permite tanta clareza. Mas gostaria de poder dizer o contrário. Pode ser que o cenário mude daqui a algum tempo, afinal, temos a tecnologia a nosso favor. Mas será que ela é capaz de dar conta dessa tarefa? De desvendar a mente humana? Tenho minhas dúvidas. 

Aqui vão alguns filmes que mostram personagens com distúrbios psiquiátricos:
- O Iluminado (1980)
- Amadeus (1984)
- Psicose (1960)
- Procurando Nemo (2003)
- Garota Interrompida (1999)
- O Solista (2009)
- Rain Man (1988)

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