O
texto de número de 6 tem como título: “Sobre ser são em lugares insanos –
experimentos com diagnóstico psiquiátrico” e foi escrito por uma psicóloga.
Assim como o anterior, tem como tema central doenças psiquiátricas e se
desenvolve a partir de um experimento feito por um psicólogo no início da década
de 70, com o objetivo de afirmar aquilo que ele considerava errado nos
diagnósticos psiquiátricos.
O experimento proposto por Rosenhan
consistia em procurar ajuda em algum hospital psiquiátrico/clínica psiquiátrica
alegando escutar uma voz que dizia “Tum”. A palavra tum foi escolhida por não
estar presente na literatura ou em nenhum relato de pessoas que ouviam vozes.
Além dele, mais oito amigos concordaram em participar e contribuir com suas
experiências. Foram trocados os nomes e alguns mentiram sobre sua ocupação,
pois haviam psiquiatras entre eles (isso poderia dificultar o acesso). O
combinado era entrar na enfermaria do local e falar que estava ali por causa da
voz. Escutar uma voz é uma
característica de psicose, o que facilitaria a “encenação”. Mas após serem
internados (foi o caso de todos), deveriam dizer que a voz havia desaparecido e
que se sentiam bem, além de agirem com honestidade durante todo o período que permanecessem
internados. Eles seriam, então, pseudopacientes. Como já disse antes, o
resultado foi que todos foram internados. A maioria recebeu o diagnóstico de
esquizofrenia e, apenas um, recebeu o diagnóstico de psicose
maníaco-depressiva. A média de dias em que os oito permaneceram nos hospitais
foi 19, tendo em vista que a maior permanência foi de 52 dias e a menor, de 7.
Todos foram liberados, sendo que sua sanidade essencial nunca foi identificada.
Além disso, Rosenhan concluiu que, assim como eles, os pacientes estavam sendo
tratados de uma forma desumana, no sentindo de serem mal tratados e diminuídos
(ele caracteriza isso como redução de status).
Com isso, David Rosenhan chegou a conclusão
de que os diagnósticos de doenças mentais estavam sendo feitos de maneira
errônea, pois baseavam-se apenas em comportamentos considerados característicos
de quem “não é normal”. Viu que a psiquiatria encontrava-se num patamar duvidoso
enquanto ciência. De acordo com que a autora descreve, ele dizia que “o diagnóstico não é realizado dentro da
pessoa, mas dentro do contexto, e que qualquer processo diagnóstico que se
empresta tão prontamente a erros enormes dessa espécie não pode ser muito
confiável”. Com toda essa postura crítica, é claro que Rosenhan comprou uma
briga com os profissionais da área. Robert Spitzer, psiquiatra e psicanalista, foi
um defensor que se propôs argumentar contra David. Ele acreditava que a
psiquiatria era um modelo médico. E, além disso, partiu para a prática e junto
com uma equipe, reformulou o DSM (Manual diagnóstico e estatístico de
transtornos mentais), com o propósito de deixá-lo mais científico e rigoroso,
com o intuito de impedir erros graves novamente. O problema encontra-se aqui,
segundo a autora e David Rosenhan: a ciência se baseia naquilo que pode ser
comprovado, visto, palpável. No caso da medicina, baseia-se no corpo. A
psiquiatria é uma exceção, por ter como objeto a mente humana, que não é nenhum
pouco palpável e, muito menos, objetiva. Assim, ela trabalha com suposições,
com “algo mensurável”, como é citado no texto.
A autora decide, anos depois, refazer a
mesma experiência de Rosenhan e, felizmente, não é internada, depois de várias
tentativas. Mas apesar disso, sempre é diagnosticada com depressão com
características psicóticas. Diz também que foi bem tratada por todos os
profissionais que a atenderam (provavelmente, foi resultado da reformulação do
DSM, e houve uma melhora, se lembrarmos do tratamento desumano citado por David
e seus colegas). Mas diz, que ainda sim, não eram feitos “exames completos”
para testar seu nível de sanidade mental. E eis que surge a grande pergunta,
pois, se a psiquiatria não trata de algo que é tangível (a mente), então como pode
ficar satisfeita em apenas se basear em relatos e sintomas do paciente ou medir
o pulso e, a partir disso, diagnosticá-lo com doença mental? Pode ser ferrenho
da minha parte, mas a meu ver, justamente por não ter provas concretas, – na
medicina, se você quebra um osso, faz uma radiografia e pode ver que ele está
de fato, quebrado – é que o cuidado com esse diagnóstico deveria ser redobrado.
Não sei como, pois entendo quase nada desse assunto, mas algo deveria ser
feito. Até por que, cada paciente tem um histórico diferente. Assim como já
disse em outras postagens, é aquela história de olhar para o indivíduo como
sendo único. Até lembrei de Descartes, que propunha analisar a mente e o corpo
separadamente, mas ao mesmo tempo compreender que existe uma relação de
interdependência entre ambos. Quem sabe, o corpo não dá algumas dicas para
ajudar no diagnóstico mental?
Aqui vão alguns filmes que mostram personagens com distúrbios psiquiátricos:
- O Iluminado (1980)
- Amadeus (1984)
- Psicose (1960)
- Procurando Nemo (2003)
- Garota Interrompida (1999)
- O Solista (2009)
- Rain
Man (1988)

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