O texto oito é intitulado de “O Método de Instrução
Personalizada na Universidade de Brasília: aplicação, análise e comparação com
o método tradicional”, escrito por Luiz Felippe Serpa, no ano de 1970. O tema
principal é o questionamento do ensino tradicional e a partir disso, o
surgimento de uma nova proposta de aprendizagem. Assim como o texto sobre a prevenção do suicídio,
este também foi dividido em duas partes.
Segundo Serpa: “É verdade que
muitos esforços têm sido feitos para melhorar o rendimento pedagógico do ensino
e, ao mesmo tempo, oferecer instrução a um grande número de pessoas com vistas
ao aumento da produção; no entanto, todas essas tentativas têm sido conduzidas
ao fracasso, pois o processo de educação tradicional, para manter um bom
rendimento pedagógico, deve ter uma relação linear entre o número de educandos
e o de educadores.” Apesar desse trecho ter sido escrito na década de 70,
esses fatos são bem atuais, afinal, o ensino sempre se baseou em uma pessoa –
no caso o professor – que possui o domínio do conhecimento e o transmite para
um grupo de pessoas – alunos. Claro que houve uma melhora ao longo do tempo, no
que se refere a elementos e práticas utilizadas nesse processo de aprendizagem.
Mas isso não foi o suficiente para transformar esses papéis, que sempre
estiveram tão enraizados. Como é citado no trecho, o rendimento pedagógico dos
alunos em geral, não era satisfatório. Esse é ponto de partida para a nova
proposta de modelo de ensino, conhecida como Plano Keller.
Esse plano tinha como princípio o método de Instrução Personalizada, que
foi criado pelo psicólogo F. S. Keller e que foi utilizado (no ano de 1964) em
um curso de Psicologia Experimental, na Universidade de Brasília (UnB). Mas o
professor não continuou na Universidade e o método não durou. Até que em 1969,
o professor L. C. Gomes, do departamento de Física da UnB, decidiu
reutilizá-lo. O método pretendia:
a) Melhorar as relações aluno-professor;
b) Introduzir métodos racionais de trabalho na
educação;
c) Humanizar o processo de ensino de massa;
d) Atender um grande número de alunos sem prejuízo
do rendimento pedagógico;
e) Obter uma relação não linear entre número de
alunos e número de professores e salas.
Para
alcançar esses objetivos, o método contava com um professor, monitores e
instrutores, de acordo com o tamanho de cada turma. Cada um deles tinha um
papel fundamental para a eficácia do projeto. O professor era como o
coordenador do curso, pois conduzia e mediava todo o processo; ele desenvolvia
todo o material que iria ser utilizado, que era dividido em unidades, além de
preparar os testes e dar palestras, quando os alunos solicitassem. Os monitores
tiravam as dúvidas dos alunos, também aplicavam e corrigiam os testes. Os
instrutores tinham o papel de auxiliar os monitores e o professor; eram
estudantes de graduação recém-formados, normalmente estavam cursando a
pós-graduação e visavam carreira acadêmica. Não havia aula expositiva e também
não existia data fixa para a realização dos testes; a pessoa os solicitava
quando sentia-se apta a fazê-lo. O progresso do aluno consistia em avançar nas
unidades, que só estaria completa depois da realização do teste e do acerto de
todas as questões. Claro que nem sempre o aluno tirava nota máxima. Por isso, o
monitor fazia uma “entrevista” para ver se ele conseguia responder as questões
que faltavam, ou então, a pessoa refazia o teste, até conseguir acertar tudo. Algo
que é importante destacar é que os monitores eram em grande número, o que
facilitava a aprendizagem do aluno, uma vez que a maior quantidade de pessoas
disponíveis sugere menos competição pela atenção (o que acontece quando se tem
apenas um professor); e não só isso, como também uma aproximação maior do aluno
com o monitor, uma vez que este também é aluno de outras matérias, então existe
algo em comum entre ambos. Além disso, se por algum motivo o aluno quisesse
trancar a matéria, poderia continuar no semestre seguinte de onde parou, sem
ter tido a nota lançada no sistema ou recebido reprovação. Como está descrito
no texto, “a característica principal do método é a de permitir progredir, do começo
ao fim do curso, no ritmo que melhor lhe convier.” Acho importante fazer
uma observação antes de continuar: naquela época, havia poucos professores e
muitos alunos na UnB. Então, essa foi uma alternativa encontrada para
solucionar esse problema.
Depois
de um tempo, o método foi intensificado no Departamento de Física e foi adotado
no Departamento de Matemática e no CIEM (Centro Integrado do Ensino Médio). Mas
não vou estender o assunto, por causa da segunda parte do texto. Deixo assim, a
reflexão em aberto, para dar continuidade a ela na próxima postagem!

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