sexta-feira, 30 de maio de 2014

Um Modelo Educacional Alternativo – parte 2

        O texto nove, assim como o oito, tem como título “O Método de Instrução Personalizada na Universidade de Brasília: aplicação, análise e comparação com o método tradicional”, e fala sobre um método educacional alternativo aplicado no Ensino Superior (UnB) e no Centro Integrado de Ensino Médio (CIEM).
        O método aplicado, tinha como objetivo fazer o aluno aprender a matéria em seu ritmo próprio. Isso é uma vantagem, se levarmos em conta que não existe essa possibilidade no sistema tradicional. As pessoas possuem vidas diferentes e as formas de assimilar o conteúdo também não são iguais entre elas. Por esse motivo, existe uma flexibilidade dentro desse sistema, que vai permitir que o aluno se adeque a matéria da forma que ele achar melhor. Esse sistema consegue fazer a junção das individualidades de cada um e proporcionar o máximo de aproveitamento da matéria (pois só é permitido avançar na unidade se o teste estiver 100% correto). É fato que os alunos reclamam muito de não ter aprendido tal matéria e sim, decorá-la para fazer a prova. E, infelizmente, isso é uma verdade. Não só na escola, como na universidade e nos vestibulares, concursos... No caso dos dois últimos, envolve uma outra questão, que tem a ver com a quantidade de vagas oferecidas pelas instituições: não são suficientes, então é preciso selecionar os melhores para ingressar. Apesar de não vir muito ao caso, esse é um caso que nos faz lembrar de uma outra realidade do sistema tradicional: curva de Gauss.
        Essa curva representa a distribuição normal, um conceito de Estatística, que consiste em representar uma média de números. No caso em análise, os números seriam referentes às notas de uma turma. A figura abaixo demonstra como são distribuídos os números entre as médias: mínima, média e máxima.


        É a partir dela que os professores analisam o rendimento de uma turma, onde o normal seria que a maioria dos alunos se encontrasse no meio da curva – na figura, é retratada pelas barras de “expressividade medida do caráter” (notas na média); alguns poucos nas extremidades: a extremidade da direita, estariam os que alcançaram as melhores notas, acima da média. E por fim, teriam os que teriam média inferior, na parte esquerda, com as menores notas. Apesar de ser uma boa ferramenta, a curva de Gauss não mostra dados satisfatórios, uma vez que a maior parte dos alunos encontra-se na média. Isso demonstra que o desempenho deles na matéria não foi suficiente. Há algo de errado nesse ponto, pois apesar de serem poucos, alguns conseguem a nota máxima. E o certo seria uma inversão dessa curva, onde a maioria estivesse com notas máximas e uma minoria com notas médias. Segundo as discussões em sala, chegamos a conclusão de que o culpado por esse resultado é o professor, uma vez que ele é responsável por fazer com que o conteúdo seja acessível a todos, sendo dever dele escolher a melhor metodologia para transmiti-lo e fazer com que o aprendizado seja efetivo.
        A segunda parte do texto traz muitos gráficos, com os resultados dos alunos de cada curso... mecânica, introdução a física, cálculo numérico, cálculo 1, entre outros. A maioria dos resultados é boa, com algumas pequenas variações. Há também uma diferença de rendimento entre os calouros e os repetentes (repetiram a matéria no método tradicional), pois os primeiros costumam se sair melhor do que os segundos. Segundo o autor, a opinião dos alunos sobre o método (é aplicado um questionário) é dividida: “Há alunos que sentem em demasia a pressão colocada pelo método e há outros que acham que o método os coloca completamente à vontade. Na maioria dos cursos, como é claro, sempre predomina este último tipo de estudante. Os aspectos aversivos do método são inevitáveis, mas felizmente são em bem menor número do que os aspectos positivos. Não podem se comparar com aqueles existentes no método tradicional de ensino.”

        Então, pode-se concluir que com sistemas alternativos e que quebram essa rigidez e inflexibilidade do método tradicional, há um incentivo ao aprendizado para os alunos, que se sentem mais estimulados a estudar. O método de instrução personalizado é apenas uma forma, dentre várias, que podem ser criadas e aplicadas na sala de aula. Falo isso porque tive uma matéria, FDA (Fundamentos de Desenvolvimento e Aprendizagem) que possuía essa compreensão da individualidade do aluno e dispunha de várias formas de avaliação. Apesar de não ser igual ao método proposto no texto, me faz lembrá-lo. Assim, esse texto veio para nos fazer refletir e nos fazer perceber o quão é importante oferecer caminhos diferentes no ensino, mas que tenham como objetivo promover o conhecimento e despertar o interesse no aluno, de forma que possam oferecer resultados melhores do que se tem hoje em dia. 


Este é um livro bem interessante e de fácil leitura, que questiona o sistema tradicional. Apesar de não se aplicar ao contexto do Ensino Superior, como no texto analisado acima, traz uma discussão acerca do papel da Escola no desenvolvimento da criança. Recomendo a leitura!  

- Harper, B.; Cecon, C.; Oliveira, M. D. & Oliveira, R. D. (1980). Cuidado, Escola! São Paulo: Brasiliense. 

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